• Apenas considerações despretenciosas - Carla Cristina

  • O menino poeta - Carlos Drummond de Andrade

  • Protesto é a forma mais legítima de lutar contra a injustiça - Maquito Pira

quinta-feira, abril 10, 2014

Um tempo para o meu silêncio















Houve um tempo para o meu silêncio.
Um tempo de dor.
Dor de luto.
Luto da perda.
Perda com gosto amargo da despedida.
Despedida do meu avô amado.

Houve um tempo para o meu silêncio.
Um tempo de correria.
Correria com muitas tarefas.
Tarefas para mudar.
Mudar para voltar.
Voltar a morar onde nasci.

Houve um tempo para o meu silêncio.
Um tempo de adaptação.
Adaptação em busca de rotina.
Rotina de cidade grande.
Grande tal qual o desafio.
Desafio de crescer como pessoa.

Houve um tempo para o meu silêncio.
Um tempo de dor.
Dor de um novo luto.
Luto de mais uma perda.
Perda com gosto amargo da súbita despedida.
Despedida da minha amada avó.

Houve um tempo para o meu silêncio.
Um tempo em que as palavras fugiram-me.
Um tempo reservado para calar.
Um tempo próprio para reflexão.
Um tempo de aprendizado.
Um tempo no qual Deus pôde restaurar o meu coração.


"Nessa vida tudo tem sua hora; há um tempo certo para tudo!"
(Eclesiastes 3 - A Mensagem)


...................................
#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

quinta-feira, abril 03, 2014

O ópio do homem de lata ( Uma nova conversa de inverno)






De repente uma conversa surge em meio ao sono. Dentro de um quarto escuro, em uma casa comum da cidade, um homem de lata recebe uma visita inesperada, e um diálogo desabrocha de ambos olhares que se focaram, ali no meio do tempo: 


Homem de lata : Sabe querido, estive pensando e cheguei a conclusão que preciso daquela água  que você prometeu dar aquela mulher na beira do poço, não quero mais sentir sede sabendo que você pode me saciar.  Preciso dela para limpar meu coração também, acho que tem muita sujeira cá dentro, algumas coisas  congelaram  por falta de uso e como o tempo é de frio, não encontrei outro lugar para me esquentar.

Está tão frio lá fora, que foi inevitável esfriar aqui dentro também. Infelizmente eu permiti o inverno entrar pela janela (deixei ela aberta por muito tempo). Eu sei também que dentro do meu coração só você sabe pisar, então queria te pedir outro favor, será que seria demais pedir para aquecê-lo também? Porque eu sei que na hora que você aquecer meu coração muita coisa vai voltar a funcionar.
Parece que a caixa d'água estragou, não sai mais água. Não escorre pelos olhos. Só ouço estralos. 

O jardineiro: Meu querido amigo, sabes o que estás a me pedir? Suponho que saiba que a partir de então começará a sangrar porque vou aquecer seu coração, mas sugiro que espere mudar a estação. O inverno também tem sua função. Espere que o verão já vem. Não posso mudar as estações apenas para curar você. Mas, posso te ensinar a se aquecer.
Está  disposto a doer novamente, perceber  dores, se comover com o amor, se deixar afetar? Eu acompanhei você por todos os caminhos que te trouxeram até aqui, e estou feliz que mesmo assim você ainda queira  sangrar.

Corajoso, hein?

Homem de lata: Sim, quero. Quero sangrar novamente, quero que me aqueça, quero que amoleça meu frio coração, estou cansado de não ver as lágrimas rolarem, estou cansado de ver tudo acontecer  sem ao menos ter outra reação. Estou me sentindo um homem de lata, daquele desenho, sabe?

O Jardineiro: Tava com saudades das nossas conversas, você ficou muito tempo sem me falar com palavras. Te entendo, homem de lata, eu entendo você.
Homem de lata: Nosso amor realmente é forte, ultrapassou os limites da vida, da lógica, da razão e da morte. Veja só querido eu praticamente morto e sem vida ainda sim chamei por você e você me ouviu.   
Me dê vida também?  Quero viver  !

O Jardineiro: Minha vida é sua, não entendeu ainda, que meu amor em você e por você é mais forte? Jamais estive longe, estava ao seu lado, mas não podias me perceber. 

O homem acordou assustado em sua cama, e percebeu que embora não fosse aquele ser do seu sonho, se identificou muito a ponto de pensar que era mesmo um androide.
Uma lágrima então escorre dos seus olhos, e com sorriso entendeu que seu pedido foi realizado. Seu coração foi levemente aquecido,  o resto era questão de tempo. Acordou pensando no sonho que teve, de tão real, sentiu calor. A partir de então, tudo passaria a ser diferente por causa daquele breve, eterno momento.
Se deu conta que, era impossível ter aquele sonho, de forma tão precisa.

Mas sonhou. E agradeceu. 
Aquele ser nunca mais foi o mesmo. 

Ele passou a ser humano.


Si Caetano via Diário de uma Lagarta

quinta-feira, março 27, 2014

Uma menina do reino...



Há muito tempo atrás, bom, na verdade, nem tanto tempo atrás, Deus planejou algo que deixaria toda uma família surpresa.

Sua mãe era ainda muito jovem e não havia planejado o que aconteceria, mas como falei ali na primeira frase desse texto: Deus planejou. Deus quis.

Toda vida que existe. Todo ser que respira, existe e respira porque Deus quer. Por sua permissão, por sua graça e porque acredito que há planos e propósitos para essa pessoa cumprir sobre a face da terra.
Não foi diferente com essa menina que agora estou contando a história.

Apesar da inesperada chegada. Tudo se iluminou. Choro de bebê enchendo a casa. Cheirinho de bebê por todos os cantos. Fraldas. Berço. Roupinhas. Sapatinhos. Tanta coisa envolvendo aquele ‘serzinho’.

A emoção de seu nascimento é inesquecível. Uma de suas tias chorou tanto de alegria que acharam que era a mãe e não a tia.

As tias se esmeravam em cuidar. Uma viajava e trazia vestidos. Outra levava para a escola. A mãe se desdobrava entre trabalho e faculdade e os cuidados com a filha. Seus jovens avós abriram um mercado e o batizaram com o nome da neta, tamanha a alegria que os envolvia. Seu pai de coração chegou um pouco depois, mas é o melhor pai que Deus poderia dar a uma menina e ela sabe disso, demonstra isso e mais do que tudo: o honra por isso.

E como o tempo passa num piscar de olhos, o bebê foi crescendo. Algumas peraltices, normais em todo o bebê, também aconteceram com ela. Lembro-me da vez em que a menina caiu ‘de boca’ e um dos dentinhos penetrou a gengiva e ‘sumiu’. A boquinha inchada pelo tombo, os olhinhos vermelhos de chorar pela dor e a avó chorando junto, inconformada, pois não achava o dente, pensava que tinha sido arrancado, saltado e se escondido em algum canto da casa. No outro dia, o dentista mostrou que o caso não era tão complexo e logo o dentinho desceu e hoje a menina tem dentões fortes! Coisas de criança que deixam com o ‘coração na mão’ toda uma família.

Tiveram outras coisas, como as alergias, uma internação por bronco-pneumonia às vésperas de um de seus aniversários, mas de mais a mais, foi tudo se passando tranquilamente.

E como as coisas costumam passar rápido demais, hoje esse bebê que brincava de ‘pregar’ para suas bonecas, que tinha os cachos mais lindos da face da terra, que fala por todos os cotovelos desde que aprendeu a falar e que é um dos seres mais doces que esse planeta já enviou a terra faz 15 anos.

Sim, como diziam os antigos, é o seu ‘début’, sua estreia como moça perante a sociedade. Uma moça linda, estilosa, cheia de amigos e que conquista a todos com seu jeito de ser. Essa pequena tem vivido muitas coisas, passado pelas fases da adolescência, descoberto de forma pessoal a fé e o caminho que lhe foi ensinado desde a infância e se transformado em uma autêntica menina do Reino.
Essa pequena é gigante em sorrisos, gargalhadas, alegria, beleza, fé e amor.

Essa pequena, que ocupa um lugar gigante no coração de sua família e dessa tia babona que vos escreve, está hoje ‘de niver’ e sua tia está longe e não poderá lhe dar um abraço e nem lhe pegar no colo, como o fez há 15 anos atrás, mas as lágrimas estão aqui presentes enquanto ela escreve essas poucas linhas.

Minha pequena, apesar da distância física que hoje nos separa, o afeto, a fé e o w’app (risos) que nos une faz com que sigamos juntas, ainda que estejamos longe. Apesar de nossas implicâncias mútuas, você é a minha princesa, a minha primeira sobrinha, a minha afilhada ‘roubada’ pela tia Vanessa porque eu estava longe (de novo) estudando. (Olha o trauma!)

Essa sua tia que estuda tanto, que muitas vezes está morando longe, que às vezes, quando por perto, também está longe por conta de tantos compromissos que assume, enfim, essa sua tia que trocou muitas fraldas suas (eu tinha que escrever isso...risos) te ama muito e deseja a você um lindo dia de aniversário, um caminho lindo na presença do Pai, uma vida cheia de realizações e que você mais e mais se aperfeiçoe nos dons e talentos concedidos por Deus a ti. Seja sempre assim: linda, livre e feliz!

Seu sorriso nos ilumina e sua vida nos abraça.

Com todo o amor do meu coração,

Tia Roberta

terça-feira, março 25, 2014

O Choro

 
 
'De tanto chorar, 
desbotaram-se os velhos sonhos. 
E abriram-se novos horizontes.
Toda alma tem a capacidade de chover.'
Luciana Leitão

domingo, março 23, 2014

Confiança na provisão de Deus - Devocional


Hoje pela manhã, acordei com um verso do livro de Salmos que, vez ou outra, meu pai costumava ler em nossos devocionais, antes do café da manhã, ou quando fazíamos nosso culto doméstico.

Confesso que, algumas dessas vezes, eu queria ir direto saborear o cafezinho delicioso e quente de minha mãe e comer o pão que todos os dias ele colocava sobre a mesa.

Mas esses encontros familiares foram essenciais para que minha fé, independente das condições externas e internas de minha vida, jamais pudesse ser abalada.

“Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem sua descendência mendigar o pão.” Salmos 37.25 [versão Almeida Revista e Atualizada]

Com oito filhos para sustentar essa era a realidade da qual meus pais viviam e nos ensinaram: Confiar na provisão que vem de Deus.

Não há como se aproximar no conhecimento de Deus, sem que essa relação de confiança seja estreitada.

Seria o mesmo que estar namorando, noivando ou casado com alguém sem depositar-lhe a certeza de que seu companheiro seja fiel.

Tenho visto as promessas bíblicas do PAI se cumprindo na vida da minha família e em minha vida também.

Acredito que esse verso tenha sido soprado aos meus ouvidos pelo Espírito Santo de Deus, com a finalidade de assegurar que Deus tem honrado, dia a dia, a fé que tenho colocado nele.

Se hoje, há falta de algo em sua casa, quero deixar aqui o registro de alguém que vivenciou o texto acima durante toda sua vida: O justo jamais mendigará o pão.

Apenas creia. Fé não é um exercício de auto-afirmação mental. Fé vem de ouvir. Vem de relacionar-se com Deus, quanto mais perto se está Dele, mas experiências e mais segurança se adquire de que ELE TEM CUIDADO DE NÓS!

Na confiança do suprimento diário do PAI
Noh Oliveira

Oração:
Paizinho,
Obrigada por lembrar que tens sustentado os justos, hoje e sempre. Obrigada por trazer a memória que se algum de nós cairmos, não ficaremos prostados, porque nos tem levantado de nossas quedas diárias.
Peço-te que supra a necessidade que teus filhos possam de ter estar com alguém ao lado para dividir os fardos da jornada.
Homens e mulheres carentes de mais de Ti em suas vidas, que possa dar-lhes o entendimento que estás perto, mas tão perto, que eles só precisam deixar-se tocar por Ti.
Acolhe os que se sentem só, fazê-os experimentar o que é estar em família.
Entra nas famílias que estão com problemas de relacionamentos, onde ninguém entende ninguém. A estas, peço-te que converta o coração de um ao outro.
Mostra-lhes o quanto necessitam um do outro e como eles podem se amar de forma profunda, se tão somente, entenderem que as pessoas podem ser amadas, mesmo tendo temperamentos e pensamentos diferentes
Paizinho entra nas casas e nos corações e aqueça-os com TEU Terno e Eterno amor.
Em nome de Jesus
Amém

quinta-feira, março 20, 2014

Olhar

Olhar 

por Fábio de Melo 






O medo começa a diminuir quando somos olhados nos olhos. A psicologia nos ensina que quando somos olhados do jeito certo, cresce em nós a crença em nós mesmos. Isso que me fascinava em Jesus. Não era apenas a força de um argumento, de uma pregação, mas a força de um olhar. Ele penetrava na pessoa e vivia o mesmo tempo que ela. Amar é viver o tempo do outro. 

Recebido por email

quarta-feira, março 12, 2014

Atitude, luz que traz clareza a escuridão da ignorância religiosa.




                          
Um cego de nascença, mais do que ninguém, sabe o que é a escuridão.

Imagine-se vivendo sem jamais vislumbrar um pôr do sol. Sem contemplar o nascer de um sorriso, no rosto de alguém que se ama demais. Sem ter a capacidade de ler a verdade no rosto das pessoas.

Certamente, não é nada agradável viver sem enxergar.

Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. [João 9.5] 

Uma das características marcantes do Evangelho de Jesus Cristo, e que mais me encanta, evidencia-se pela clareza que explicava a grandes e pequenos, o sentido de sua missão terrena.

Neste caso, especialmente, ele mostrou aos religiosos que tradições baseadas apenas em transmissão de contextos vazios para nada serve. Tradicionalismo e costumes antigos se não estiverem acompanhados de interesse autêntico na carência dos que padecem, é palha, é lixo!

Ainda mais dogmas e costumes doutrinários!

A intenção em pregar uma religião é – pelo menos deveria - propiciar o reencontro do homem com Deus. O tão conhecido “religare” (*1)

A síntese do encontro de um homem que passou sua vida na escuridão de sua condição de deficiência visual com a Maravilhosa Estrela da manhã, nos mostra que temos, ao alcance de nossas mãos, a medida da necessidade do outro.

Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. João 9:3

Jesus a Luz, o cego em estado de total escuridão. 

Desse encontro só poderia resultar a glória do Pai. 

Jesus não deu uma ordem apenas, pra que o cego fosse curado, ele mesmo “administrou” a cura na visão do homem.

O papel da igreja não é outro senão, trazer luz a cegos. Abrir novos horizontes, acolher todos aqueles que precisam ter maior conhecimento de DEUS.

Precisamos ter mais desse “toque” do Mestre, de Suas falas, de Suas aproximações recheadas de interesse puro e verdadeiro, enfim, precisamos voltar a assumir nossa condição de “Pequenos Cristos” (*2)
O papel da igreja não é outro senão, trazer luz a cegos. Curar a deficiência natural que o homem tem em enxergar verdades eternas.

Clarear o entendimento de anos de obscuridade fria e distante de Deus.

Como luzeiros, temos a responsabilidade de espalhar feixes de luz por onde nossos passos nos conduzirem. Criando assim um caminho de luz a todos que necessitam ser aquecidos, orientados e curados.

Como Cristo precisamos evidenciar mais interesse pelo ser humano, que é repleto de culpas, dores, feridas mal tratadas, deficiências. Tendenciosos e insistentes ao erro, assim como você e eu somos.

Como Cristo precisamos ter interesse, sendo assim, surtirá em nós desejo de agir em favor do outro, respeitando-lhe as fraquezas e lapsos de comportamento.

Sendo assim poderemos exercer a verdadeira religião!

Noh Oliveira                                                                                                                   
(*1) Significado de Religião: Religião vem do latim ¨religare¨, tem o siginificado de religação. Essa religação se refere entre uma nova ligação entre o homem e Deus. Sabendo disso, conclui-se que o real significado da palavra é JESUS CRISTO, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens, não há outro. A Bíblia assim diz, na pessoa de Jesus: ninguém vai ao Pai senão por mim. Todos pecaram e foram destituídos da Glória de Deus.
Mas o quadro foi totalmente mudado quando Ele se ofereceu em sacrifício em nosso lugar. O que a maior parte das pessoas toma por religião é, na verdade, denominação. Católicos, Assembleianos, Metodistas, Batistas, etc. são denominações. Jesus morreu por todos e para se ter uma religião é só se converter a Ele.

(*2) Biblicamente e originalmente, o significado da palavra Cristãos no grego é "Pequenos Cristos" - dando o sentido de que o cristão deve ser uma cópia submissa de Cristo. A designação não está relacionada à religião de aguém, mas sim, à identidade que essa pessoa tem com a pessoa de Cristo!


segunda-feira, março 10, 2014

A Tininha faz anos!!!!


E a SORTE é toda nossa!!!!!!

A conheci por meio de uma grande a amada amiga: Alzira Sterque. Sempre via os tuites pra lá de inteligentes e sempre dosados e uma sensibilidade impar.

Imaginava que seria alguém que acrescentaria muito em minha caminhada. Não deu outra. Tininha nos empresta um olhar suave da vida e das relações.

Quase sempre atordoada por tarefas e atribuições, ela não permite que o encanto lhe fuja por entre os dedos, mesmo que eles teimem em tentar escapar.

É sorte, a nossa, de ter uma mana com tanta meiguice, dividindo a plataforma do blog!

É privilégio ter um "espaçozinho" na apertada agenda e poder passear com ela pela nossa agitada cidade [Sampa].

Mas,as vezes, conseguimos fazê-la burlar suas tarefas, e ter um momentinho, que se transformam em inesquecíveis horas!

Tininha é daquelas pessoas que só o fato de pensarmos que existe em nossas vidas, faz com que surja um sorriso de gratidão a Deus!

Mana, nossa caminhada é mais suave contigo, nossos dias são mais doces, nossos poemas e versos tem mais encanto com seu toque.

Celebramos a vida contigo! Celebramos esse momento com muita alegria porque afinal, somos assim, feitas de uma mesma matéria. Meninas meio amulheradas e mulheres meio ameninadas! 

Juntas e misturadas a gente segue com fé, com poemas e muitas gargalhadas, sabendo que somos elos tecidos pelo tapeceiro, cada uma com sua cor, cada uma tocando um tom, cada qual ajudando a formar a bela figura de Cristo em nós, e nós em Cristo!
Felicidades aos milhares nossa querida e eterna Ex-Tinzinzel.
Parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!!!









sábado, março 08, 2014

O tal 'Dia Internacional Da Mulher'



Hoje é o Dia Internacional da Mulher e, embora eu não seja muito chegada em datas e comemorações, compreendo o calendário como uma nota de 'memória' para as coisas que nos importam; e, hoje, a festa é para o ato de 'ser mulher'.

Penso que, ser mulher não é apenas a identificação de sexo, mas um comportamento interno, profundo e absoluto. Disse alguém - e não me lembro quem! - de modo certeiro: 'Ninguém nasce mulher', e isso é fato, nascemos meninas e com o tempo nos tornamos mulheres.

Apesar do ciclo natural ser essa transformação, há muitas 'mulheres' que envelhecem ainda em estado de menina, outras deixam que as características femininas se diluam em pedaços tão miúdos que sequer são percebidos; ainda outras amargam e estragam sua própria essência.

Apesar de pensar assim, sei que o 'ser mulher' pode ser resgatado em qualquer uma de nós que se proponha a isso, mesmo depois de muitos anos, pois, wsses atributos são nossos, por natureza.

A sensibilidade, a delicadeza e a força são alguns deles, assim como a coragem e a beleza. Há tantos e todos comportamentos que são nossos e nunca utilizamos! Falo por mim, que hora e outra abandono minhas necessidades de poesia e descanso para outras conquistas e necessidades.

Em suma, diferente dos outros anos em que desejei apenas um 'Feliz dia das mulheres' para as minhas amigas, hoje, eu gostaria de desejar, para muitas de nós, a restauração do 'ser mulher' e dessa essência quase perdida num mundo que exige que sejamos 'muitas' e que façamos milhares de coisas; nesse tempo em que exigem de nós posturas diversas e que desenvolvemos multiplas tarefas para podermos cumprir nossas metas e sermos respeitadas.

Desejo, de todo o meu coração, que a nossa natureza feminina tenha destaque em nossos comportamentos, nas nossas palavras e no nosso olhar.
Que sejamos mulheres na NOSSA mais pura essência.

Um beijo da 'menina',

Lu!

quinta-feira, março 06, 2014

A moça empurrada nos trilhos da Sé e a nossa contribuição diária para a desgraça generalizada.





Não tenho mais aquela velha e rasa mentalidade de quem acredita na existência de pessoas boas, e pessoas más. Basta uma auto reflexão para eu entender que, como humana sou má e boa. Depende do momento, da minha motivação, daquilo que me estimula, daquilo que me é vital, daquilo que me toca e me domina, daquilo que eu alimento a alma. Mesmo sabendo disso, tento não fazer de um momento ruim, uma maldade que vire um eco e uma desgraça real para além dos meus pensamentos viciosos. Consigo não atingir outros, nem punir outras pessoas por isso, as vezes só eu mesma tomo do meu veneno. Saber do que a gente é capaz quando contrariados, já é castigo suficiente quando temos consciência. 
            A nossa ação é estimulada por pensamentos.  É dentro da nossa cabeça que começamos a criar o nossos fantasmas, reis, rainhas, nosso mundo encantado ou desgraçado. Este mundo interno está constantemente sofrendo influências no roteiro, aquilo que nos rodeia fora pensamento, gera um outro pensamento que cedo ou tarde, muda este script. A maioria das vezes, muda para pior, para o pessimismo, para a vingança, para a maldade, para uma ação repentina, para aquilo que não gera vida e muito menos esperança. E não raras as vezes, aquele momento não reflete o contexto geral da nossa história. 
           Um exemplo claro disso, é quando eu estou tranquila no ponto esperando ônibus e vejo outro cidadão xingando, batendo boca com o motorista, sinto que ele está aclamando para eu fazer o mesmo, mesmo que eu não esteja escrevendo aquela historia para mim, naquela hora sinto indignação com o sistema público brasileiro, meus impostos, meu dinheiro e aí, quando vejo já alterei meu script do dia, e quando menos espero, outros que ali estavam fazem figuração, e aquele motorista que é tão vitima do sistema político brasileiro como eu, se irrita com as ofensas e reclamações generalizadas, cansado passa a correr e a desrespeitar os passageiros, até que ele fecha a porta no meio de alguém que estava indo alegremente pra casa  descansar e que não estava se quer a fim de reclamar, porque saiu mais cedo de casa e se preparou para eventuais atrasos. Pronto, o ciclo se encerra com todos nós,  atracados na praia da desgraça. O cenário perfeito para o crime. O descaso público, uma vítima, pessoas indignadas e um culpado (tão vítima quanto).
              Quero dizer aqui que, no que me diz a respeito não quero alimentar este ciclo de desgraça. E acho que, inconscientemente o fazemos, e de diversas formas. A indignação se não direcionada para seus alvos corretos, mata inclusive aquele que a apontou, porque ela se alastra como praga, e gera uma ira incontrolável, a indignação é a prima mais nova da desgraça e a namorada ciumenta da bondade. A indignação é uma mola que, ao ser esticada e solta vai sair batendo em todos os cantos até se estabilizar. 
           Mesmo que o motivo desta indignação seja real e legitimo, eu me preocupo muito para onde estamos caminhando com nossos scripts.  Discursos violentos sendo aclamados, posicionamentos rasos a respeito de tudo sendo levados ao pé da letra como agregadores de valor humano. Não vejo um sorriso gratuito, uma palavra real ( clichê de Facebook não conta) de incentivo ao bem comum.  As pessoas estão se alimentando de crueldade e rindo como se isso fosse seu roteiro principal desde que nasceram.
                 Hoje, as 14:40 pm, eu estava procurando videos para me distrair quando então vi a chamada de um jornal de tv dizendo : preso o homem que empurrou moça no metro da Sé. Fui ver o vídeo por curiosidade, e para tentar entender o que era aquela situação. A repórter perguntou ao homem o porque ele fez aquilo? Se ele conhecia aquela moça de 28 anos, ele respondeu que não a conhecia, mas que o mundo era assim mesmo, injusto, caótico, mau, e que ele não sabe exatamente o motivo da sua indignação, mas que a empurrou e não queria fazer isso, mas fez. Este homem é um cidadão aparentemente lúcido embora muito agitado, segundo o delegado ele escondeu as roupas usadas no crime, o que não demonstra uma atitude de alguém com doenças mentais ( ex: esquizofrenia), mas que a família se quiser pode levar laudos de médicos para então ser cogitada esta hipótese. 
               O fato aconteceu dia 26/02/2014, era aniversário dela, estava completando 28 anos. A moça por ironia da vida não morreu, mas teve um dos braços amputados. E como será que ela vai reagir a isso tudo? Indignação é o que ela deve estar sentindo agora, o que ela tinha a ver com o sentimento e o script escrito por este homem? Nada. Só foi a vítima do que ela nem sabe. Ela, no hospital perguntou ao namorado: e agora? como vou fazer sem um braço? Ele a respondeu, você continuará sendo a mulher mais importante e linda para mim.
             Eu senti tristeza, chorei e vim escrever estas linhas. Talvez essa seja a minha forma de não contribuir para a desgraça generalizada que assola nossas histórias. O amor tem que vencer.



Si Caetano - publicado no site Diário de uma Lagarta
       

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Imurchável


Ontem foi niver da nossa imurchável Isa!

Quem é a Isa?! Ela é dessas pessoas que tem sempre um sorriso nos olhos, uma palavra amiga nos lábios e uma disposição gigantesca pra fazer do nosso dia, um pouco mais ameno!

A Isa é uma espécie de mascote – do melhor sentido da palavra, claro – aqui do blog e das Meninas do Reino.

Então se ela é assim tão especial, porque não deixar nossa homenagem a ela?!

Sei que todas nós gostaríamos de celebrar junto com ela esse momento sublime.

Sei que cada uma teria palavras especialmente pensadas para dizer-lhe sobre essa nova fase.

Então me faço porta-voz das Meninas e te digo Isa:

Continue a sorrir, mesmo em meio a dor.

Pode parecer insano, mas esse é seu dom, seu chamado, sua vocação.

Creia, mesmo contra todas e quaisquer desesperança, porque te foi confiada essa missão

Abrace os de perto e de longe, porque eles precisam do que te foi dado e você precisa de cada um deles.

Não mascare sua essência, antes, pelo contrário, permita-se ser a melhor Isa que o mundo já conheceu.

Ame, a tempo e fora de tempo, porque amar é para os puros, e pureza, é o composto de sua alma.

Leia, ensine, critique, encoraja!

Seja fiel a sua autêntica qualidade de IMURCHÁVEL!

Feliz aniversário – atrasado – das Meninas do Reino! Amamos sua vida!!


segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Importar-se: Algo esquecido no meio “Gospil”


Noite e dia insistimos em orar para que possamos vê-los pessoalmente e suprir o que falta à vossa fé. 1 Tessalonicenses 3:10


Aprendi com o exemplo do meu pai, e mais tarde, no seminário teológico transcultural que, discipulado é gastar tempo e levar junto.

Em outras palavras, é ter um interesse genuíno por pessoas que estão iniciando os passos na fé. Eu diria um pouco mais, é cuidar de que, se algum irmão necessita de orientação, ajuda ou incentivo este permaneça firme no CAMINHO.

Confesso que me incomoda o crescimento desordenado dos grupos e dos templos, uma vez que cada novo nascido no Evangelho de Cristo necessita do mesmo cuidado de um bebê.

Eles precisam de alguém que os auxilie a firmar os passos, que os ensine a falar, portar-se e até orientá-los a definir quais são as escolhas mais sensatas de acordo com a nova natureza cristã.

Um mentor, um mestre, um discipulador, ou tão somente, alguém que se importe.

Foi exatamente com essa finalidade que Cristo veio ao mundo, para ensinar a respeito do amor que se compadece que cobre feridas – e não que as faz; que indica caminhos, que cura dores.

Mas os “cristãos” não querem ter trabalho, não querem, como o apóstolo Paulo, suprir o que falta à fé dos irmãos. Seria, por acaso, o motivo desse desinteresse, a própria falta de fé?!

Ou quem sabe, um profundo desconhecimento das verdades bíblicas?

Ou temos tantos enfermos na fé que já não há quem possa servir de supridor?!

Oh! Meu Deus! Tomara, esteja eu redondamente errada, e que estejam espalhados pelos quatro cantos, pessoas que oram e se interessam se alguém padece.

Importar-se como Jesus se importou é imperativo a quem professa a fé, porque é cumprir um dos maiores mandamentos que é amar ao próximo como a si mesmo.

Se eu passo por momentos difíceis e preciso de alguém ao meu lado me orientando, por que eu deixaria um irmão chorar sozinho suas dores?!


Importar-se é “vestir” a dor do outro. É chorar seus prantos. Sentir suas dores. Conhecer suas fraquezas.

Importar-se é dizer: Você não precisa caminhar sozinho.
Importar-se é, tão somente, fazer o que Jesus faria.

A imagem que usei para ilustrar o texto dá maior significado a tudo que tentei transmitir. Um inocente, aparentemente sem nada, importando-se [suprindo a necessidade] de outro, aparentemente bem mais fragilizado.


Evangelho é isso: Inocência.

Noh Oliveira

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Uma conversa pra nunca mais esquecer...






- Que dor é essa que você traz em seu peito?
- São feridas não cicatrizadas...

- Por que você chora escondido?
- Porque preciso ser forte pra suportar os dias quentes.

- Por que você se cala?
- Porque as noites são frias e meus lábios congelam.

- Posso refrescá-la nos dias quentes. Posso aquecê-la nos dias frios.
- Não sou digna.

- Por quê?
- Acho que perdi algo na minha caminhada enquanto atravessava a estrada de pedras.

 - Pensou que não ouvia sua oração sem pronúncia de palavras?
- Não vou negar... Muitas vezes acreditei que não se importava comigo e senti-me abandonada.

 - Duvida do meu amor?
- Não. Acho que duvido do meu.

- Você não me ama?
- Amo.

 ...

(suspiros e lágrimas)
 - Eu sei que você me ama. Mas também sei que sendo humana pode falhar, tropeçar, errar e mesmo assim, o meu amor por você não muda em nada.

- Tenho vergonha! Seu amor me constrange...

 - Prometi que não seria fácil viver e que não a isentaria das dores, tempestades... Mas também prometi que jamais deixaria atravessar tudo isso sozinha. EU SOU com você.

 - Por favor, não me abandone.
 -Jamais.

 - Por favor, não me deixe só.
 - Jamais.

...

 Então, ela foi envolvida por braços fortes e um abraço que trouxe alento e aconchego e a paz que tanto buscava, ela encontrou.

 

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Ter essência é essencial

Ter essência é essencial

É essencial, ter essência

Nada mais justo que ser fiel

Ao âmago de mim

Ao recôndito de quem me tornei

Ao íntimo que quem já fui

Ter essência é essencial

É essencial, ter essência

Enlaçar-me com o cerne do meu eu

Aliançar-me com o recôndito de meus sentimentos

Aninhar-me em meu próprio seio

Gerar-me no ventre que há em mim

Ter essência é essencial

É essencial, ter essência

Egocentrismo?! Jamais!

Essência, sempre!!

Sempre essência.

sábado, fevereiro 15, 2014

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.


Mudanças.

Mudar dá um friozinho na barriga, uma sensação como se várias borboletas estivessem voando pelo seu abdômen!

Mas mudanças são também estimuladoras!

Olho para a frente e vejo uma estrada longa, toda pronta me convidando a percorrê-la!

Sei que novos desafios estão me aguardando. Sei que viverei novos aprendizados. Sei que vou mudar, não só de emprego e cidade (Sampa, minha amada Sampa, estou voltando!), estou segura que esse é o novo tempo, o tempo de viver novas coisas e crescer muito como pessoa (e as múltiplas áreas que formam a minha vida).

Dá tremedeira nas pernas.
O coração fica dividido.
Choro quando a minha sobrinha chora ao saber da novidade.
Choro novamente quando chora a minha mãe.
O coração fica apertado ao se distanciar da minha comunidade de fé.
E daí bate aquela vontade de querer "juntar tudo numa coisa só", como canta tão sabiamente O Teatro Mágico...

Mas eu sei que Deus nos consola com graça e capacitação.

E a minha gratidão para com Piracicaba, pelos 21 anos vividos nessa cidade do interior paulista, com seu famoso rio e suas peculiaridades é imensurável! Tenho vínculo não só com a cidade, mas com as pessoas com as quais estabeleci relacionamentos que me influenciaram a ser quem sou hoje.

E como a distância entre Pira e Sampa é facilmente percorrida, isso não é de fato uma despedida. É uma readequação na estratégia logística!

=]

Sampa é berço. Pira é porto seguro.

Um adendo, uma nota aos meus pais:

Pai e mãe: OBRIGADA por um dia escolherem mudar para Piracicaba e por todo o esforço em nos dar uma melhor qualidade de vida! Pelo incentivo (apesar das lágrimas e da ansiedade) e por acreditarem em mim e me abençoarem no novo ciclo dessa jornada. AMO-OS SEMPRE!

Volto para Sampa não sendo mais a adolescente que fui. Volto para iniciar um novo ciclo da minha vida adulta. Volto para viver o tempo das coisas novas. Volto porque um dia me foi permitido sair, sem nunca deixar de amar.

Que venha o novo, um tempo a ser vivido com muito trabalho, estudo e dedicação... Sempre com os pés no chão e o coração em Deus.

Não tenho certeza se a frase é realmente do texto "Encerrando ciclos" da Glória Hurtado (texto comumente apontado na Internet como sendo do Fernando Pessoa), mas tal frase me cai bem agora:

"Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."



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#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)



sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Se as Meninas do Reino...




Se as Meninas do Reino fossem um blog, ele já teria terminado.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas pelo ministério, ele já teria "caído".
Se as 
Meninas do Reino fossem um grupo de mulheres para discutir sobre mulheres, já teríamos brigado e nos separado.
Se as 
Meninas do Reino fossem "mulheres separadas por Deus" já estávamos separadas umas das outras.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas apenas pela vontade de escrever, não teríamos nada de verdadeiro a dizer.
Se as 
Meninas do Reino fossem apenas amigas, não escreveríamos nada. Apenas fofocaríamos e contaríamos nossas vidas umas as outras.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas apenas pela visibilidade, estaríamos buscando parceiros para divulgação e nos venderíamos ao marketing digital.

Se as 
Meninas do Reino fossem apenas uma marca, uma razão social, estaríamos longe do amor tanto quanto a China está longe da Paraíba.

Mas, se as 
Meninas do Reino não precisam de justificativas para amar, escrever, pensar, tocar e serem tocadas na alma, se elas querem brilhar sem precisarem afirmar que são luz, se elas se sentem amigas e parceiras de caminhada, se elas abrirem mão de pretensões e principalmente da vontade de agradar... 

Se elas são humanas, aí sim... por serem humanas, sangram, erram, e além de tudo, pensam, então se elas são assim, estão livres para criarem o que quiserem. Até um simples blog, até seu próprio mundo !

Se elas se amam, e amam ao Cristo então,  também podem se consider parte do reino.

Dito isso, em resumo, elas são o que são, e é só isso.

Ainda tem gente que pensa que é só.


Simone Caetano.

A janela




Tem coisas que nos acontecem na infância que mudam completamente o modo de vermos as coisas. E as pessoas.

Eu morava numa rua de nome difícil, que ficava nas bordas da cidade.

Meu vizinho da esquerda era o senhor Joaquim, um velho barbudo que amava as árvores, até fazia uma coleção delas no quintal da sua casa. 

E do lado direito morava a Maria, uma menina com uns três anos a mais do que eu.
Eu tinha seis quando a vi pela primeira vez.

Maria tinha um jeito de menina doce, doce bem doce, do tipo mel ou laranja lima, sabe?
Não gostei dela desde a primeira vez que a vi com um vestido cheinho de florzinhas e cabelos trançados. Gente muito doce parece que nasceu errado. 

- 'Créd cruis, por mil potes de açucar União!' num quero uma amiga assim não! _pensei.

É lógico que eu não quis manter contato com a menina, até porque dizem que a gente acaba se parecendo com quem conviv,e e doce sempre me fez mal. Morro de medo da 
tal diabetes, doença que minha tia Firmina têm desde muito tempo. Iac!

Tia Firmina tem mais anos do que a minha mãe, mas não casou e nem teve filhos. Se você pensa que ela é triste,  ahahaha você se enganou! Firmina é minha tia mais legal! E mais bonita.  E adora viagens e vestidos longos. Na minha opinião, ela é a mulher mais legal  do mundo todo! Depois da minha mãe, é claro.
Vai entender que critérios os homens usam pra escolher casamentos, né!?

Bem, da minha janela, eu sempre via a menina Maria a cortar flores. 

Três vezes por semana, ela vinha com tesoura e um cesto bem grandão.

Na minha opinião, de boazinha ela nada tinha! Quem tem coração, não mata florzinha, nem botão.
Todas as vezes, que a Maria saia para suas maldades de canteiro, vinha um menino ranhento a gritar por atenção. Era Joazito, seu irmão. 

João era um menino que gostava muito de gritar e de chorar. Duvido que tinha tempo pra fazer outras coisas! O barulho era sua maior ocupação.

Bem, a menina Maria era realmente muito má: matava flores e fazia qualquer coisa que - não imaginava o quê! - parava o choro do irmão.

Outro dia, a minha tia Firmina foi viajar.
Como a tia tem cama grande e muitos travesseiros, decidi que o melhor a fazer era  ir dormir lá. Vai que de noite algum ladrão entrasse e a roubasse, né?

-Te juro, tia. Não vou mexer em nada. Nem precisa trancar._foi o que eu prometi quando vi tia Firmina tirando as chaves do quarto antes de sair.

Daí, a tia - inocente - deixou a porta sem fechar.

Quando a noite já era bem noite, fui de pijama e chinelo pra lá.
Que delícia de quarto!
Que delícia de cama!
E aquilo tudo era meu. Só meu!
Usei a abusei de tudo o que podia, usei até o perfume dela pra deitar!

Naquela noite, dormi cheirando flor...

Acordei com o sol ainda fininho, e antes de voltar para o quarto que era meu, decidi usar a janela da minha tia para ver o que tinha do outro lado da casa da Maria. Queria ver qual maldade a menina escolhia para castigar o irmão.

A janela da minha tia era bonita, tinha vidro transparente e cortina. E me deixar ver o que antes eu não via.

-Isto aqui é perfeito! _pensei!

Foi aí que minha interpretação sobre a Maria mudou.

Notei que a Maria tinha também uma família, além do irmão. 
Da janela da tia Firmina, dava pra ver um pedaço do quintal da menina. 

Lá tinha uma velha bem velha, parecendo bisavó. A velha estava numa cadeira que tinha rodas e que era - também - bem velha. Talvez as duas tivessem a mesma idade. Deveriam ter nascido em mil oitocentos e bolinhas. As duas!

Assim que Maria retornava com as flores no cesto, colocava-os no colo da velha e, depois, as duas faziam ramalhetes. Um mais bonito do que o outro. 
A velha parecia gostar de fazer.

Não foi preciso segurar muito tempo a curiosidade sobre o irmão: mais um pouco e logo apareceu o menino chorão.

Só que, antes eu não percebia o grande volume na frauda que o menino tinha.

-Vá trocar seu irmão, Maria. _acho que eu até ouvi a velha mandar na menina.
-Sim, senhora! _concordou sorrindo a Maria.

Logo o menino não mais chorou. Voltou com outra frauda, limpinha e com um lencinho 'cheirador'.

Agora, a menina que antes era a mais exibida, da janela da minha tia, virou anjo. E até asa tinha.

Olha só o que olhar por outra janela me fez aprender...


....
Texto: Luciana Leitão
Imagem: Google