Transitando no reino dos homens, envolvidas com o Reino de Deus

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Que o outro...


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

TPM, a fé e o Gato.

Há três dias que ela não suportava a voz das pessoas, ainda assim, entrava na sala saudava a todos com um “bom dia” que era mais uma demonstração de educação do que simpatia, nem mesmo algum desejo de que o dia dos outros fosse bom de fato, já que o dela estava fadado a ser horrendo.

No dia anterior seu chefe até tentou minimizar os efeitos desse sádico período com técnicas de acupuntura auricular, mas sem obter qualquer resultado. O que serviu apenas para causar um incômodo maior, porque a única sensação boa que ela conseguia sentir depois do procedimento era o alívio vê-lo parar de apertar sua pobre orelha.

Sexta-feira, todos empolgados e felizes, já que a semana útil começou na quarta-feira após meio dia. Ela se mantinha impassível, respondendo apenas questões profissionais sem maiores detalhes e fingindo não ouvir brincadeiras e piadinhas que soavam ao seu redor, todos contendo a fatídica palavra: TPM!!!

Pior ainda, falavam de sua síndrome!!!! Falavam dela!

Até que alguém mais afoito ao se despedir lhe diz: Reze um pouco menina. Nesse período a língua é sua pior aliada, então ela responde: Eu não rezo! Eu oro! O distinto pediatra com seu ar bonachão olha para ela e sorrindo diz: É a mesma coisa.

Ela que viera trajada de intolerância e maquiada para guerra rebate: Não mesmo! Reza é apenas repetição de palavras vazias! Oração é a comunicação entre pessoas que se conhecem. Sem argumentos, ou percebendo que aquele diálogo não levaria a lugar algum ele dá um beijo em seu rosto acompanhado de um leve tapinha no ombro e sai.

Fixando o olhar na planilha de produção que vinha trabalhando começa a conversar com Deus. Pergunta-lhe onde e quando foi que ELE disse que devíamos estar bem em todos os instantes de nossas vidas?!

Como poderia esboçar sorrisos, se os hormônios de seu corpo pareciam querer pirar e ela parecia pirar junto?!  Que mundo louco era esse que ela vivia onde a mulher precisava engolir uma enormidade de fases distintas que revezam entre si, para saber quem exerceria de melhor forma o papel de carrasco hormonal do mês e tudo isso apenas para exibir um bom humor fake?!

Pior ainda, como alguém ousava dizer-lhe que pronunciar algumas palavras inspiradas para Deus, mudaria seu estado de espírito?!

Como se isso fosse levar embora o turbilhão de sentimentos e emoções que transbordavam em seu interior.

Ela chorou. Forte. Sentido. Pesadas lágrimas escorreram em seu rosto.  

Sentia-se ofendida em sua fé. Sentia-se desrespeitada como mulher que sofria por estar num período de transtornos emocionais e sentimentais. Um verdadeiro tsunami hormonal.

As amigas a viram chorar. Mas não se aproximaram. Sabiam que precisava chorar sozinha. Aproximar-se seria até perigoso.

Ela correu para o banheiro levando consigo seu celular, porque, ainda que o departamento em que trabalhava a população feminina fosse superior a masculina, havia ainda seu chefe e o assessor dele.

O celular toca. No visor a imagem de um Anjo. Era o Gato que ligava para salvá-la de seu naufrágio emocional.

Assustou-se ao ouvir sua voz chorosa, mas já sabia o mal que a afligia. Disse que estava ligando para dar-lhe o carinho e atenção que precisava. Pediu que lavasse o rosto e que voltasse a sua mesa de trabalho porque logo mais estariam juntos e ela poderia chorar, se quisesse, mas que ele preferia mesmo ver seu sorriso que tanto lhe dava forças para batalhar pelo futuro deles.

Desligou e ela ficou um pouco mais em seu refúgio, precisava conversar um pouco mais com Deus. Precisava agradecer-lhe por permitir que ela passasse por aquele momento de fragilidade, por não exigir que fosse forte sempre, que fosse feliz sempre, que fosse boazinha sempre e por providenciar remédio para sanar os efeitos desse que é o período mais controverso e intenso da maioria das mulheres.

Comprometeu-se em pedir perdão a todos os quais ela tinha sido ríspida e pedir que no próximo mês a deixassem quietinha em seu canto.

A TPM passa, mas as marcas de palavras grosseiras permanecem.

Passar pela TPM e permanecer firme na fé, eis o nosso desafio mensal.

Imperfeita em aperfeiçoamento 
Noh Oliveira

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

As duas faces da vida



Há um jeito em que a vida se apresenta como uma enfermidade...

Ela nos adoece com os espinhos e pedras que surgem em cada tragada do ar.
Ela nos faz sentir a dor diante do veneno das palavras soltas e dos gestos abruptos.
Ela nos leva pra cama, nos acorrenta e nos aperta até que nossa alma se transforme em rio...

Mas a vida também tem a beleza que nos cura...

Um abraço que nos aconchega e protege.
O sorriso que traz cor aos nossos dias nublados.
O olhar que nos compreende e conforta.
O toque que nos faz sentir acompanhados quando tudo o que temos ainda seja o silêncio.

A vida é veneno e antídoto...
Complexa e simples...
Amarga e doce...
E tudo o que temos é o presente.
É o hoje, o agora.

O passado é só um retrato sépia que fica na estante da memória.
Lugares, pessoas, aromas...
O futuro é o mistério desejado e assustador.

Uma folha que não sabemos ao certo a tinta que devemos usar para escrever...
Crendo que a cor seja azul descobrimos que é o vermelho que desaguou.

Apagar? Não se pode!

Então, precisamos lidar com os borros, com os enganos, com os erros, com as escorregadas.

Então, precisamos encontrar forças para nos erguermos, sacudir a poeira, olhar para o horizonte e buscar ver além, muito além do que nossos olhos oferecem.

É preciso aprender a sorrir mesmo quando a vontade de chorar parece ser gigante...

Não! Não é ser hipócrita...

É ser um aprendiz na solidão e na dor...
É ser humano.
É ser gente.
É acreditar na esperança quando mesmo assim nada se espera mais...
É dizer ao Criador:

"O manual foi escrito por Você. Por favor, ensiná-me a funcionar..."


A vida é dor.
Mas também é cura!



***
Simplesmente, Tininha



domingo, 26 de fevereiro de 2012

O poder da força x O poder do amor




A tentação no deserto revela uma profunda diferença entre o poder de Deus e o poder de Satanás. Satanás tem o poder de coagir, de estontear, de forçar a obediência, de destruir. Os seres humanos aprenderam muito desse poder, e os governos beberam fundo desse reservatório. Com um relho, ou um cassetete, ou um AK-47, os seres humanos podem forças outros seres humanos a fazer quase qualquer coisa que desejam. O poder de Satanás é externo e coercivo.


O poder de Deus, em contrapartida, é interno e não é coercivo. "Não se pode escravizar o homem por meio de um milagre, e a fé necessária é gratuita, não fundamentada em milagre", disse o Inquisidor a Jesus no romance de Dostoievski. Tal poder pode parecer às vezes fraqueza. Em seu compromisso de transformar gentilmente de dentro para fora e em sua inexorável dependência da escolha humana, o poder de Deus parece uma espécie de abdicação. Como todo pai e todo amante sabe, o amor pode tornar-se impotente se a pessoa amada prefere desprezá-lo.

"Deus não é nazista", disse Thomas Merton. De fato, Deus não é. O Mestre do universo se tornaria sua vítima, indefeso diante de um pelotão de soldados num jardim. Deus se fez fraco com um propósito: deixar que os seres humanos escolhessem por si sós o que fazer com ele.


Soren Kierkegaard escreveu sobre o leve toque de Deus: "A onipotência que pode colocar a sua mão fortemente sobre o mundo pode também tornar o seu toque tão leve que a criatura recebe independência". Às vezes, concordo, desejaria que Deus usasse um toque mais pesado. Minha fé sofre com liberdade em demasia, com demasiadas tentações para descrer. Às vezes desejo que Deus me esmague, para vencer minhas dúvidas com a certeza, para me dar provas finais de sua existência e de seu interesse.

(...)

Quando tenho esses pensamentos, reconheço em mim um eco tênue, abafado, do desafio que Satanás lançou a Jesus há dois mil anos. Deus resiste a essas tentações agora como Jesus resistiu àquelas na terra, estabelecendo um jeito mais lento, mais gentil.



(...)

Creio que Deus insiste em tal restrição porque nenhuma exibição pirotécnica de onipotência vai alcançar a reação que ele deseja. Embora o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode provocar a reação do amor, que é a única coisa que Deus deseja de nós, sendo a razão de nos ter criado.



Philip Yancey - em O Jesus que eu nunca conheci, ed. Vida, páginas 79, 80, 81.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Força II




Como são abençoados todos aqueles em quem habitas: a vida deles é a estrada pela qual transitas.
Eles passeiam por vales solitários, descobrem riachos e encontram fontes frescas e lagoas transbordantes de chuva! 
Guiadas por Deus, essas estradas contornam as montanhas e, lá em cima, convergem em Sião! Deus está à vista!

(Salmos 84:5-7 - A Mensagem)